Reunião sobre o Plano Mais leite, Mais Renda é realizada em Avaré em prol da atividade leiteira

No dia 23 de agosto, na Associação Regional dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Area) de Avaré, foi realizada uma reunião técnica do “Plano da Bovinocultura Leiteira Paulista – Mais Leite, Mais Renda”, com a presença de cerca de 150 pessoas entre representantes do poder público, da iniciativa privada, setor produtivo, da indústria, universidades, da pesquisa e extensão rural. A atividade, que tem como objetivo aumentar a quantidade e qualidade do leite paulista, integra uma série de encontros organizados nas principais regiões produtoras do Estado de São Paulo.

Ao abrir a reunião, o diretor da CATI Regional Avaré, Eliseu Aires de Mel, informou que na região há 11 laticínios e cerca de 3.500 produtores que, em 2017, produziram cerca de 850 mil litros de leite/dia. Para completar este panorama, o médico veterinário Braz Costa de Oliveira Júnior, da equipe da CATI em Avaré, apresentou as ações desenvolvidas junto aos produtores de leite em 21 unidades produtivas da região. “Para alavancar a atividade, precisamos unir esforços e essa reunião apresenta o que pretendemos com este plano estadual. Contem com o conhecimento dos técnicos da CATI e dos parceiros para orientá-los nessa caminhada”, afirmou Eliseu.  Importante integrante desta ação é a equipe da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, representada pelo médico veterinário César Augusto Moura, diretor do escritório de Avaré, o qual destacou que nas 12 cidades do município há 280 mil cabeças de gado e que é preciso estar em dia com os exames de brucelose e tuberculose. “Garantir a sanidade é garantir a qualidade do leite e a comercialização.

Para o coordenador da CATI, João Brunelli Júnior, faz-se necessário conhecer o diagnóstico da região, os problemas, as deficiências, o mercado, os pontos fortes e saber onde se quer chegar. “O maior desafio é melhorar a qualidade e a produtividade e, para isso, é preciso que todos os atores da cadeia caminhem juntos e na mesma direção. É preciso administrar vaidades, ou seja, todos devem ter consciência de seu papel e de sua importância e ser valorizados pela atividade que desempenham. Os resultados devem ser comemorados em conjunto e não de forma individual. Estabeleçam parcerias; entendam quais as causas dos problemas da cadeia do leite; busquem pela melhor estratégia para solucionar as deficiências; planejem para visualizarem onde querem chegar e se comprometam com o resultado e não com o esforço”, orientou Brunelli.

José Luiz Fontes, dirigente da Assessoria Técnica do Gabinete e na reunião representante do secretário de Agricultura Francisco Jardim, disse que a atividade leiteira, nos últimos anos, estava causando uma inquietação. “Estávamos preocupados em ouvir da extensão rural sobre a falta de resultados positivos. Esta ação surgiu após verificamos que, nos últimos anos, reduziu-se o número de produtores de leite no Estado, a área de pastagens, o número de vacas ordenhadas e, consequentemente, houve queda na produção, comercialização, renda e nos empregos relacionados à pecuária leiteira, que é das que mais representam a agricultura familiar. Se o produtor não ganha, ele muda de atividade; e percebemos que a desorganização da cadeia é um dos problemas do setor. União e organização são fundamentais. Fortalecer essa cadeia é fortalecer a agricultura familiar”.

O médico veterinário Carlos Pagani Neto, assistente técnico de Bovinocultura da CATI e um dos autores do Plano, apresentou dados da atividade no Estado de São Paulo e orientou sobre as próximas etapas. “A equipe da Regional, após esse primeiro encontro, deve organizar as próximas atividades. É preciso conhecer o diagnóstico local e desenvolver ações de maneira coletiva, abrangendo um grande número de produtores com produções ou processos produtivos semelhantes. Temos resultados individuais. Agora, queremos resultados coletivos. Novos encontros regionais, Dias de Campo, capacitações, assistência técnica a grupo de produtores são algumas das propostas. A estimativa é ampliar, em uma década, a produção paulista de 1,77 bilhão para 2,5 bilhões de litros ao ano, o equivalente a 41% de aumento. Para isso, a produtividade deve ser elevada dos atuais 1.380 litros ao ano por vaca, para 2 mil litros. E, para isso, é preciso entender que o laticínio e o produtor são parceiros. O foco é a atuação conjunta do setor e quem ganha é a sociedade, que terá acesso a mais leite e a um alimento de melhor qualidade.”.

Durante a atividade, José Carlos de Figueiredo Pantoja, professor da Unesp de Botucatu, apresentou um trabalho orientado por ele e realizado junto com servidores da CATI Regional Avaré (Júlia Mendonça e Kelly Bernardo) e que teve como foco a ordenha saudável. Nomeada de “Desenvolvimento e validação de um sistema de treinamento de procedimentos de ordenha para trabalhadores rurais com diferentes níveis de escolaridade”, a pesquisa contou com avaliações teóricas e práticas, com metodologias de observação da rotina de ordenhadores, preenchimento de planilhas, identificação de falhas e realização de capacitação. “Boas Práticas de manejo; comportamento adequado dos ordenhadores; tratamento respeitoso aos animais, entre outros fatores; afetam positivamente a qualidade e a produtividade do leite”, concluiu o trabalho orientado por Pantoja, que já planeja uma capacitação para  técnicos da CATI. Os participantes também puderam ouvir orientações sobre linhas de financiamento, que foram proferidas por uma equipe de uma empresa da região.

Presidente do Sindicato Rural, Pedro Luiz Olivieri Lucchesi mostrou-se animado com a iniciativa da Secretaria de Agricultura. “Este Plano irá agregar e fortalecer nossa bacia leiteira, que já foi uma das maiores do Estado de São Paulo e tem condições de se restabelecer. Este é um apoio essencial aos pequenos e médios produtores paulistas”. Da mesma opinião compartilha Ronaldo Villas Boas, secretário municipal de Agricultura, que representou Jô Silvestre, prefeito de Avaré. “São bem-vindas todas as ações que venham fortalecer a agropecuária do município. Estaremos ]á disposição para contribuir”.

Atenta às palestras, Laura Tarifa, produtora de Itaí, a qual administra 46 vacas em lactação, que produzem 950 litros de leite/dia,  gostou do que foi apresentado. “Sinto realmente essa deficiência gerencial. O produtor precisa aprender a fazer contas e a buscar auxílio com outros profissionais do setor. Ele tem que agir em seu próprio benefício e ter iniciativa”. Quero participar de todas as discussões promovidas por este Plano Mais Leite, Mais Renda”, animou-se. Já Admilson Nogueira, produtor de Itaporanga, conta com 32 vacas em lactação, que produzem 480 litros de leite/dia. “Percebo que o maior problema está em atingir a qualidade exigida pelo mercado. Este é nosso grande desafio e se trabalharmos em conjunto acredito que toda a cadeia será beneficiada”, avalia.Novos encontros serão organizados não só em Avaré para dar sequência as ações do Plano, como em outras regiões do Estado de São Paulo.

Por: Roberta Lage – Centro de Comunicação Rural – CECOR/CATI

Fotos de:
Fernando Franco Amorim/Casa da Agricultura de Avaré